A Quimbanda Mussurumim Kaminaloá | Fundamentos de Kimbanda
- Nicole D'Oshun
- 5 de mar.
- 4 min de leitura

A Quimbanda Mussurumim Kaminaloá
A vertente de Kimbanda Mussurumim Kaminaloá praticada no Ilê Axé Bará Lodê, em Caxias do Sul (RS), possui raízes históricas no sul do Brasil.
Essa tradição nasceu no Rio Grande do Sul sob os nomes Kimbanda de Mussurumin ou Mossorubi, sendo transmitida através de sucessão iniciática legítima, preservada dentro da linhagem espiritual de nossa casa matriz, se remetendo a Exu Kaminaloá.
Nossa prática se insere dentro do contexto das religiões afro-gaúchas, profundamente relacionadas ao Batuque do Rio Grande do Sul, mantendo fundamentos transmitidos oralmente por Babalorixás, mestres e anciões das casas de religião.
🔱 Ponto tradicional de Exu Kaminaloá
“Auê Exu Kaminaloê
Auê Exu Kaminaloá
Seu Omolú ele trabalha com que
trabalha com pó de Kangerê
Tá sentado na Kalunga
Na Kalunga de Anarauê”
Ponto de chamada de Eṣu Kaminaloá — Fundamentação da Kimbanda Mussurumim Kaminaloá | @ileaxebaralode
🔱 Fundamentos da Quimbanda
Para nós, Quimbanda é antes de tudo amizade, àṣẹ, lealdade, força e união. É uma tradição espiritual onde o respeito aos fundamentos transmitidos pelos mestres e pela ancestralidade ocupa lugar central.
Reconhecemos que diferentes casas organizam suas práticas espirituais conforme suas próprias tradições e caminhos religiosos. No entanto, entendemos que algumas adaptações contemporâneas podem alterar fundamentos históricos quando realizadas sem a devida transmissão iniciática.
Por esse motivo, afirmamos publicamente que a Quimbanda Mussurumim praticada em nossa casa mantém vínculo direto com a Kimbanda tradicional de Seu Sete da Lira de Mãe Ieda do Ogum, amplamente conhecida no Rio Grande do Sul.
Essa tradição não possui cruzamentos com outras vertentes de Quimbanda, como a Malei ou Nagô, que também existem e são respeitadas no sul do Brasil, além de países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai.
🔱 Fidelidade aos fundamentos da Goa (vasilha)
Na Goa — a vasilha espiritual da casa, preservamos a Kimbanda Mussurumim com fidelidade aos fundamentos recebidos de nosso feitor - Exu Veludo, sem enxertos à sua natureza.
Nossa prática busca manter a simplicidade ritual, a coerência simbólica e a tradição afro-gaúcha, valorizando o que foi transmitido pelos antigos mestres quimbandeiros.
Dentro das atividades espirituais, buscamos sempre excelência e atenção aos detalhes, tanto nos rituais de assentamento quanto nas sessões públicas ou giras de descarrego, abertas à comunidade.
🔱 Tradição oral e discrição ritual
Como em muitas tradições ligadas ao Batuque e à Quimbanda do sul, grande parte do conhecimento é transmitido pela tradição oral e pelas feituras iniciáticas.
Esse processo preserva a história religiosa construída por gerações de sacerdotes e praticantes. Ao mesmo tempo, mantém-se a discrição necessária sobre rituais internos, iniciações e fundamentos reservados da casa.
Nesse contexto, os Exus e Pombagiras manifestados em nossa tradição costumam ser diretos, objetivos e discretos em suas falas e ensinamentos.
🔱 Estrutura ritual da Quimbanda Mussurumim
A Quimbanda Mussurumim praticada no Ilê Axé Bará Lodê possui características próprias que a diferenciam de outras formulações contemporâneas da religião.
Entre esses elementos estão:
estruturas iniciáticas específicas
consagrações coletivas das legiões de Exu dentro de um Abassé ou trunqueira
linguagem ritual própria
ferramentas tradicionais utilizadas nos trabalhos espirituais
Entre os elementos simbólicos e instrumentos ritualísticos utilizados encontram-se:
tridente
faca de corte
capa ritual
cartola
baralho cigano
Esses elementos fazem parte da estética e da simbologia tradicional de diversos mestres quimbandeiros conhecidos como Exu e Pombogira.
🔱 Autonomia das casas de religião
É importante lembrar que Quimbanda, Umbanda, Batuque e Candomblé não são religiões centralizadas. Não existe uma autoridade universal equivalente a um Vaticano, nem papas ou hierarquias globais que governem todas as casas.
Cada mestre, sacerdote ou quimbandeiro, ao receber legitimamente sua maestria espiritual, governa sua própria casa com autonomia e responsabilidade.
Da mesma forma:
ninguém possui patentes sobre Exu ou Pombagira "a coroa do Exu não se compra se tem, a coroa do Exu ela vem do além."
nenhum mestre pode retirar àṣẹ de outro sacerdote legitimamente iniciado, independente do que ache sobre suas práticas
nenhuma casa possui autoridade sobre os fundamentos de outra
🔱 A tradição viva da Quimbanda
Reafirmamos que a Quimbanda Mussurumim preservada no Ilê Axé Bará Lodê permanece autônoma, legítima e enraizada em fundamentos sólidos.
Nossa prática busca manter viva a tradição recebida, fortalecendo a caminhada espiritual de mestres, quimbandeiros e praticantes, sempre com respeito à ancestralidade e às diversas formas legítimas de manifestação das religiões de matriz africana.
Entre as entidades cultuadas dentro da tradição da Quimbanda estão diferentes linhas de Exu e Pombagira, como aquelas associadas a nomes tradicionais da religiosidade popular, incluindo Tranca-Ruas, Maria Padilha, Exu Veludo, Sete Saias, Menina da Praia e Exu Rei das Sete Encruzilhadas, entre muitos outros.
Cada entidade manifesta aspectos específicos do trabalho espiritual, dentro de fundamentos transmitidos pela tradição iniciática.
🔱 Quimbanda no Ilê Axé Bará Lodê
Sob a condução e conduta moral de Pai Anderson do Bará Lodê, o Ilê Axé Bará Lodê mantém seu compromisso com a tradição afro-gaúcha, com a transmissão responsável do conhecimento espiritual e com o respeito aos fundamentos da religião.
Nossa casa busca preservar a dignidade da Quimbanda, da Kimbanda e das tradições ligadas ao povo de Exu e Pombagira, mantendo viva uma herança espiritual construída por gerações de mestres, feiticeiros e sacerdotes.
Agradecemos ao Pai Anderson do Bará por sua incessante busca por conhecimento e a troca do mesmo. Gratidão Abassé das Almas de Exu Veludo e Pomba Gira Rainha.
Texto redigido por Nicole D'Oshun Ademun 🔱



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